Quadrinhos transformam informações complexas em comunicação acessível, explica Gabriel Alves
Por: Maria Alice Domingues – Uso de recursos visuais e narrativas ilustradas ajuda a simplificar conteúdos técnicos, ampliar a compreensão e aproximar a informação de diferentes públicos. Ilustrador destaca como narrativa visual pode aproximar instituições de públicos com diferentes níveis de conhecimento Uma informação pode estar tecnicamente correta e, ainda assim, não conseguir chegar ao […]
Por: Maria Alice Domingues – Uso de recursos visuais e narrativas ilustradas ajuda a simplificar conteúdos técnicos, ampliar a compreensão e aproximar a informação de diferentes públicos.
Ilustrador destaca como narrativa visual pode aproximar instituições de públicos com diferentes níveis de conhecimento
Uma informação pode estar tecnicamente correta e, ainda assim, não conseguir chegar ao público. Termos difíceis, textos extensos e explicações excessivamente formais podem criar uma barreira entre instituições e as pessoas que precisam compreender determinado serviço, orientação ou procedimento. Nesse cenário, ilustrações e histórias em quadrinhos podem funcionar como ferramentas de comunicação.
Essa é uma aplicação da narrativa visual que fez parte da trajetória profissional de Gabriel da Costa Alves, ilustrador, concept artist, diretor de arte e líder criativo com mais de 18 anos de experiência. Antes de consolidar sua atuação no mercado norte-americano de games e entretenimento, Gabriel desenvolveu no Brasil projetos que utilizaram arte e linguagem visual para tornar informações institucionais mais acessíveis.
“Uma informação só cumpre plenamente sua função quando o público consegue compreendê-la. A imagem pode ajudar a criar essa ponte, principalmente quando estamos falando de assuntos que originalmente possuem uma linguagem mais técnica ou institucional”, afirma Gabriel.
Como fundador e diretor de arte da GA Studio, ele participou do desenvolvimento de revistas institucionais produzidas principalmente para órgãos públicos. Os projetos utilizavam histórias em quadrinhos para apresentar programas governamentais, serviços públicos e processos internos de maneira mais simples e compreensível para diferentes públicos.
Nesse processo, a escolha dos personagens, das situações apresentadas e da sequência das informações precisava considerar mais do que o aspecto estético.
“Não basta fazer uma ilustração bonita. Quando a arte tem uma função de comunicação, cada elemento precisa contribuir para que a mensagem seja entendida. Personagem, cenário, expressão e sequência narrativa passam a fazer parte da explicação”, diz.
A experiência alcançou diferentes cidades paulistas. A GA Studio desenvolveu trabalhos para secretarias e prefeituras de municípios como Santos, São Vicente, Cubatão, Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, além de projetos para a Sabesp. Ao longo de sua atuação, foram produzidas mais de 1 milhão de unidades impressas, distribuídas em diferentes regiões do estado de São Paulo.
Para Gabriel, o formato dos quadrinhos apresenta uma característica especialmente útil: a possibilidade de organizar uma informação como uma sequência de acontecimentos.
“A narrativa visual permite mostrar uma situação, apresentar um problema e conduzir o leitor até uma orientação ou solução. Isso torna a comunicação menos abstrata e aproxima o conteúdo de situações que fazem parte da vida das pessoas”, explica.
Essa experiência também demonstra que ilustração e design podem ocupar espaços que vão além do entretenimento. Em determinados projetos, a arte passa a desempenhar funções educativas e informativas, ajudando instituições a conversar com públicos distintos.
“O artista precisa entender quem vai receber aquela mensagem. A linguagem destinada a um público infantil, por exemplo, não necessariamente funciona da mesma maneira para um adulto. Comunicação visual também exige conhecer o público”, destaca Gabriel.
Hoje atuando nos Estados Unidos como Senior Game Artist, Gabriel continua trabalhando com desenvolvimento visual, embora aplicado a produtos de entretenimento e experiências de gaming.
Para ele, apesar das diferenças entre os projetos, permanece um princípio comum.
“Seja em uma história em quadrinhos, em uma comunicação institucional ou em um produto de entretenimento, a arte ganha força quando consegue orientar a atenção e fazer uma ideia chegar ao público com clareza”, conclui.
