Homilia da Sexta-feira da Paixão convida fiéis a encarar o pecado e redescobrir o amor de Cristo em Porto Ferreira

A tarde da Sexta-feira da Paixão foi vivida com profunda intensidade no Santuário Diocesano de São Sebastião, onde fiéis se reuniram às 15h para celebrar a Paixão de Cristo, momento que relembra a morte de Jesus na cruz e convida à contemplação do maior gesto de amor da fé cristã. A celebração, presidida pelo reitor …

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A tarde da Sexta-feira da Paixão foi vivida com profunda intensidade no Santuário Diocesano de São Sebastião, onde fiéis se reuniram às 15h para celebrar a Paixão de Cristo, momento que relembra a morte de Jesus na cruz e convida à contemplação do maior gesto de amor da fé cristã. A celebração, presidida pelo reitor Padre Fernando Mendes, teve como ponto central a homilia conduzida pelo Frei Vanderlei de Lima, da Diocese de Limeira.

Em uma mensagem direta e profundamente reflexiva, Frei Vanderlei conduziu os fiéis a um confronto interior, propondo uma pergunta essencial: o que realmente tem ocupado o lugar de Deus na vida de cada um? Ao afirmar que muitas vezes o ser humano “troca o Criador pelas criaturas”, ele destacou como a busca por reconhecimento, aparência e valorização externa tem afastado as pessoas daquilo que verdadeiramente sustenta a vida espiritual.

A homilia seguiu revelando o contraste entre a lógica humana e o modo de agir de Deus. Enquanto o mundo valoriza aquilo que é bonito, forte e admirado, Cristo se apresenta na cruz de forma desfigurada, ferida e rejeitada. Para o frei, essa imagem não representa derrota, mas a expressão mais radical do amor. Ele lembrou que Jesus, mesmo sendo inocente, assumiu o peso dos pecados da humanidade, tornando-se irreconhecível não por fraqueza, mas por entrega.

Ao aprofundar essa reflexão, Frei Vanderlei destacou que o pecado é a verdadeira causa da perda da beleza interior do ser humano. Não se trata apenas de erros isolados, mas de uma realidade que afasta o homem de Deus e de si mesmo. Nesse sentido, ele afirmou que a cruz continua presente na história, não apenas como lembrança, mas como consequência das escolhas humanas. Cada atitude contrária ao amor, segundo ele, reforça esse distanciamento e atualiza o sofrimento de Cristo.

A reflexão também ganhou um tom próximo e humano ao abordar a experiência das famílias, especialmente o olhar de uma mãe. Ao recordar o cuidado constante e a preocupação que nunca cessam, Frei Vanderlei conduziu os fiéis à cena da cruz sob a perspectiva de Maria. Uma mãe que vê o filho sofrer, que não compreende totalmente, mas que permanece. Essa permanência, silenciosa e firme, foi apresentada como exemplo de fidelidade e amor que não recua diante da dor.

Maria, nesse contexto, foi lembrada não apenas como personagem da história da salvação, mas como presença viva na caminhada dos cristãos. Uma mãe que intercede, que acompanha e que conhece as dores de cada filho. A sua dor, unida à de Cristo, foi apresentada como caminho de acolhimento para todos aqueles que enfrentam sofrimento, dúvidas e angústias.

Outro ponto marcante da homilia foi a crítica à vivência superficial da fé. Frei Vanderlei alertou para o risco de transformar Deus em alguém a quem se recorre apenas por conveniência, como se fosse possível escolher apenas o que agrada e rejeitar aquilo que exige mudança. Ele ressaltou que o Evangelho pede coerência, especialmente no que diz respeito ao perdão. Ao recordar as palavras do Pai Nosso, destacou que não há verdadeira oração sem disposição sincera de perdoar.

A celebração seguiu com a Adoração da Santa Cruz, momento em que os fiéis, em silêncio, se aproximaram para venerar o símbolo do sacrifício de Cristo. Também foram realizadas as orações universais, abrangendo intenções pela Igreja, pelo Papa, pela paz no mundo, pelo Brasil, pelos que sofrem e por todos aqueles que ainda não creem, reforçando o caráter universal da salvação.

No encerramento, a imagem de Maria voltou a conduzir a reflexão final. Diante do sofrimento e da morte do Filho, ela permanece fiel, mesmo sem respostas. Sua entrega total à vontade de Deus foi apresentada como expressão de uma fé madura, que não depende de explicações, mas se sustenta na confiança.

A homilia deixou uma mensagem clara e profunda: a Paixão de Cristo não é apenas um acontecimento a ser lembrado, mas um convite a ser vivido. Um chamado à conversão, ao reencontro com Deus e à redescoberta do amor que se entrega por inteiro. Em meio à dor da cruz, permanece a certeza de que a última palavra não é o sofrimento, mas a vida — uma esperança que se renova e aponta para a vitória definitiva de Cristo.